Os amigos se referiam a ele como “o Rosa”.
Diplomata, competente, discreto. E construiu, na sua quietude, todo um universo.
Esse universo era o que estava sendo descoberto em seu tempo: um Brasil despercebido por séculos e que se formara distante de tudo e de praticamente todos. Meio que na origem e na seqüência do que Brasília representou: mais do que uma nova capital, a aceitação e o encontro do litoral com o centro do país.
Guimarães Rosa foi o Pedro Álvares Cabral do Planalto Central, do Cerrado, e mostrou um interior que não era o café de Monteiro Lobato e seu Jeca Tatu, nem a cana-de-açúcar de José Lins do Rego, não era a seca de José Américo de Almeida e Rachel de Queiroz, não era o cacau de Jorge Amado nem o pampa de Érico Veríssimo.
Era um outro mundo. Seco, novo, duro a seu modo, e que até falava numa língua nova e meio estranha.
Diadorim e o gado e as comitivas e toda a coorte de gentes e casos que transitaram em sua obra compunham o cenário do Brasil que se estava descobrindo. E que é hoje a soja, o gado, o agronegócio.
Este mundo teria perecido, se ele não o registrasse em sua obra magistral.
Ontem, 27 de junho, comemorou-se o centenário de nascimento de João Guimarães Rosa, um dos mais extraordinários escritores brasileiros.
Grande oportunidade de ler e reler seus livros deliciosos.
Divirtam-se, deleitem-se, saboreiem.
