segunda-feira, 30 de junho de 2008

O descobridor de um mundo novo

Escrito por Lúcia Hippolito
Publicado pelo Blog do Noblat


Os amigos se referiam a ele como “o Rosa”.


Diplomata, competente, discreto. E construiu, na sua quietude, todo um universo.

Esse universo era o que estava sendo descoberto em seu tempo: um Brasil despercebido por séculos e que se formara distante de tudo e de praticamente todos. Meio que na origem e na seqüência do que Brasília representou: mais do que uma nova capital, a aceitação e o encontro do litoral com o centro do país.

Guimarães Rosa foi o Pedro Álvares Cabral do Planalto Central, do Cerrado, e mostrou um interior que não era o café de Monteiro Lobato e seu Jeca Tatu, nem a cana-de-açúcar de José Lins do Rego, não era a seca de José Américo de Almeida e Rachel de Queiroz, não era o cacau de Jorge Amado nem o pampa de Érico Veríssimo.

Era um outro mundo. Seco, novo, duro a seu modo, e que até falava numa língua nova e meio estranha.

Diadorim e o gado e as comitivas e toda a coorte de gentes e casos que transitaram em sua obra compunham o cenário do Brasil que se estava descobrindo. E que é hoje a soja, o gado, o agronegócio.

Este mundo teria perecido, se ele não o registrasse em sua obra magistral.

Ontem, 27 de junho, comemorou-se o centenário de nascimento de João Guimarães Rosa, um dos mais extraordinários escritores brasileiros.

Grande oportunidade de ler e reler seus livros deliciosos.

Divirtam-se, deleitem-se, saboreiem.

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